Univaja realiza sua 7ª assembleia e define nova coordenação

Representantes dos povos Kanamari, Matis, Mayoruna/Matsés, Kulina Pano, Marubo e Korubo elegeram nova diretoria, debateram os desafios da região e recebem a Ministra presidenta do STF e do CNJ, Rosa Weber

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) realizou, entre os dias 17 e 20 de março de 2023, a sua 7ª Assembleia que reuniu representantes de seis povos da bacia do rio Jutaí, na Terra Indígena (TI) Vale do Javari, local com maior concentração de povos que vivem em “isolamento”, no mundo. As atividades foram feitas na aldeia Marubo Paraná, localizada no alto rio Ituí, município de Atalaia do Norte, Amazonas, Terra Indígena Vale do Javari, que é a segunda maior TI do Brasil.

Os povos Kanamari, Matis, Mayoruna/Matsés, Kulina Pano, Marubo e Korubo elegeram nova diretoria, que agora conta com Bush Matis para coordenar a Univaja pelo triênio 2023/2025, junto com Varney Todah Kanamari na vice coordenação. O povo Tsohom-dyapa foi o único que não contou com representantes na assembleia que recebeu, cerca de 120 pessoas, ao longo dos 4 dias.

O povo Korubo, de recente contato, participou pela segunda vez do encontro que define os rumos da coordenação da Univaja. Na última assembleia, realizada em março de 2020, ocasião da reeleição de Paulo Marubo e Varney Thoda Kanamari, participaram Takvan e Malevo Korubo. Dessa vez, os Korubo foram representados por Txitxopi, Lëyu e Txitxopi Vakwë Korubo.

Três chapas se inscreveram para pleitear a coordenação.

Chapa 1: Jorge Marubo e Raul Matsés;
Chapa 2: Bushe Matis e Thoda Kanamari;
Chapa 3: Jaime Matsés e Feliciana Kanamari;

Houve empate entre as chapas 2 e 3. O desempate foi realizado a partir de votação dos Korubo, que elegeram a chapa 2.

Durante a assembleia, as lideranças elaboraram e assinaram uma carta, entregue no dia 21 de março à Presidenta do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, que visitou o Vale do Javari pela primeira vez.

Leia documento completo aqui:
CARTA MINISTRA ROSA WEBER

Na ocasião, lideranças destacaram a necessidade de proteção territorial, relembrando as violências ocorridas na região, como os assassinatos de Maxciel dos Santos, Bruno Pereira e Dominic Phillips. As lideranças também destacaram a necessidade de contratação de servidores indígenas para o quadro de profissionais da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que ao longo do governo de Jair Messias Bolsonaro, foi sistematicamente sucateado.

Além das lideranças dos seis povos ali representados, houve também a participação de parceiros, como o Centro de Trabalho Indigenista, o Conselho Indigenista Missionário e a Nia Tero Fondation.

 

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