Quatro anos após os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips, o Vale do Javari segue cobrando justiça e proteção para seus povos e territórios

Atalaia do Norte (AM), 5 de junho de 2026 – No mesmo dia em que o mundo volta seus olhos para a defesa do meio ambiente, a região do Javari relembra uma das maiores tragédias de sua história recente. A memória do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, assassinados enquanto documentavam os desafios enfrentados pelas comunidades indígenas e as ameaças que avançavam sobre a floresta, permanece viva.

O crime, que gerou repercussão internacional e expôs ao mundo a realidade vivida na segunda maior terra indígena do Brasil, tornou-se um símbolo da violência enfrentada por quem defende a floresta, os direitos dos povos originários e a vida. A lembrança de Bruno e Dom continua presente, assim como o alerta deixado por suas mortes.

Bruno Pereira dedicou anos de sua trajetória à proteção dos povos do Javari, especialmente dos indígenas isolados e de recente contato. Dom Phillips buscava contar ao mundo histórias que revelassem a importância da Amazônia e das populações que ajudam a preservá-la. Ambos foram silenciados em um contexto marcado pela presença de atividades ilegais e pela histórica ausência do Estado em áreas estratégicas da Amazônia.

Os assassinatos ultrapassaram a dimensão de uma tragédia individual. O crime atingiu valores fundamentais para a democracia, como a defesa dos territórios tradicionais, a liberdade de imprensa e a atuação de quem dedica a vida à proteção da floresta. Suas mortes também evidenciaram problemas denunciados há décadas pelas organizações representativas da região: invasões territoriais, pesca ilegal, caça ilegal, narcotráfico, ameaças a lideranças e a vulnerabilidade de defensores dos direitos humanos.

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA) reafirma que a memória de Bruno e Dom exige mais do que homenagens. Exige compromisso permanente do Estado brasileiro com a proteção das comunidades indígenas, dos defensores ambientais e dos territórios que seguem sob pressão constante.

Neste momento de memória e reflexão, a UNIVAJA presta homenagem a Bruno Pereira e Dom Phillips, reconhecendo a contribuição de ambos para a defesa da vida, da floresta e dos povos indígenas. Ao recordar suas trajetórias, a entidade também reafirma que a proteção da Amazônia, dos territórios tradicionais e de seus defensores é uma responsabilidade coletiva, para que nenhuma outra vida seja perdida por lutar por aquilo que deveria ser preservado por todos.

Bruno Pereira, presente!
Dom Phillips, presente!
Hoje e sempre.

 

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